15.10.11

Místico - D.H. Lawrence

Toda experiência dos sentidos eles dizem que é mística, quando a experiência é abordada.
Uma maçã assim se torna mística quando eu sinto nela o gosto
do verão e da neve, da selvagem confusão da terra
e da insistência do sol.

Todas coisas cujo gosto eu posso seguramente sentir numa boa maçã .
Há maçãs em que a água prepondera, de gosto aguado e azedo,
e outras que puxam mais para o sol, doce-salobras
como a água de uma laguna excessivamente insolada.

Se afirmo sentir numa maçã essas coisas, sou chamado de místico, ou seja, de mentiroso.
O único modo de comer uma maçã é abocanhá-la como um porco
e  não sentir gosto de nada
que seja real.

Mas eu, se como uma maçã, gosto de comê-la com os sentidos todos despertos.
O modo de a abocanhar como um porco é para mim uma alimentação de cadáveres.



They call all experience of the senses mystic, when the experience is considered.
So an apple becomes mystic when I taste in it
the summer and the snows, the wild welter of earth
and the insistence of the sun.

All of which thing I can surely taste in a good apple.
Though some apples taste preponderantly of water, wet and sour
and some of too much sun, brackish sweet
like lagoon-water, that has been to much sunned.

If I say I taste these things in a apple, I am called mystic, which means a liar.
The only way to eat an apple is to hog it down like a pig
and taste nothing
that is real.

But if I eat an apple, I like to eat it with all my senses awake.
Hogging it down like a pig I call the feeding of corpses.

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