21.11.10

Sob o pálio do céu - Hafiz

            Uma brisa paradisíaca sopra no jardim - e eis-me com a Bem Amada e uma taça de vinho.
            Como poderia, hoje, o mendigo deixar de julgar-se um rei, sob o dossel do céu bordado de nuvens, no livre palácio da erva?
            O prado conta-lhe contos do Paraíso. Insensato aquele que dissipa em prazeres vindouros a moeda do presente.
             Que o vinho te reconforte o coração, pois o mundo é um deserto e, ao fim de tudo, o teu pó se misturará com argila do oleiro.
             Não escrevais o meu nome acompanhado de uma injúria. Não me chameis de bêbado. Quem sabe o que o destino gravou em minha fronte?
            Viajante, não te desvies da sepultura de Hafiz. Embora sujo de pecados talvez seja ele o bem vindo, entre todos, nos Céus.

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