23.11.10

A chama oculta - Hafiz

    Fiz um pacto com a Bem Amada. Enquanto a alma habitar o meu corpo, amarei como a mim próprio todos aqueles que vivem à sua sombra.
    Se tenho comigo aquilo que por tanto tempo foi o meu desejo, que me importam os rumores e as mentiras da multidão?
   Ó Velador, praza aos Céus que esta noite feches por um instante os olhos, para que eu possa murmurar baixinho minha queixa de amor sobre os seus lábios mudos.
   Que me importam as tulipas e as rosas, se, pela graça do Céu, eu tenho, para mim só, todo o jardim!
   O vinho que bebo é tão doce e tão forte! E a Amada é tão bela, mais bela que todas as imagens do mundo!
   O rubi dos seus lábios é tão poderoso como o sinete de Suleimão.
   Chegou ao termo o longo jejum. Hafiz, não chores mais.

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